quinta-feira, 26 de julho de 2018

Chambers Latin America

O calendário do Chambers Latin America foi lançado!
O primeiro prazo já é agora em agosto. 

Boa sorte à todos!



terça-feira, 24 de julho de 2018

As dificuldades na adesão às novas tecnologias em escritórios de advocacia

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Antes de mais nada, precisamos contextualizar o profissional do Direito (“aka” Advogado) que adotou a vertente profissional de trabalhar em Escritórios de advocacia e que são relativamente diferentes daqueles que optaram pelas vertentes da carreira acadêmica, publica ou corporativa e que não vamos discutir aqui.
Um ponto importantíssimo que temos que considerar é a psique profissional do Advogado e que é muito bem mostrada pelo estudo estatístico elaborado após anos de observação no mercado americano pela Caliper (www.calipercorp.com). Essa observação gerou o perfil profissional Caliper do advogado e seus desvios em relação à média da população americana, conforma abaixo e publicado no livro “Growth is Dead: Now what?” de autoria de Bruce MacEwen da Consultoria Adam Smith, Esq.
Apesar de ser um estudo realizado nos Estados Unidos, com meus trinta anos de experiência em lidar com esses profissionais, me arrisco a dizer que se não for idêntico aso nossos, está muito próximo da nossa realidade.
Para se adotar algo novo (seja o que for) são necessárias algumas características tais como: acreditar e confiar profissionalmente em outros profissionais (que estão trazendo as novidades), estar disposto a experimentar, ter espírito de equipe (para perceber que sua mudança pode ajudar o time), se programar ou planejar a forma de adoção das novidades e usar os feedbacks seus e da equipe e principalmente não ter postura reativa.
Se analisarmos detalhadamente as características elencadas acima, no meu ponto de vista ficará muito claro o impacto dessas delas sobre o tema de nossa discussão. O novo sempre gera uma reação de desconfiança e medo na precisão (característica importantíssima para a profissão do Direito).     
Outro ponto a ser considerado é a própria afinidade do profissional (que escolheu uma matéria humana) e a sua própria formação acadêmica que tem/teve um enfoque muito subjetivo e interpretativo na linguagem e muito pouco pragmático ou matemático, normalmente focados nas profissões exatas (pelas quais os sistemas e softwares são desenvolvidos).
Esse “gap” de formação traz uma dificuldade natural para o advogado absorver e entender a lógica sistêmica (que é “burra” para os olhos desses profissionais). Citando apenas como exemplo, todos os sistemas de busca usam os conectores lógicos (chamados de booleanos) e os advogado têm que absorver a diferença entre o conector “e” que na matemática que dizer “interseção” versus o significado da conjunção aditiva “e” usada na linguagem escrita e falada que significa “união”.

Além das dificuldades responsabilizadas aos advogados, há que se considerar também a “dureza” dos sistemas oferecidos a estes, que por terem sido desenvolvidos por profissionais das áreas de exatas, são muito pouco amigáveis para os “leigos”, não técnicos. Todos nós deveríamos agradecer diariamente (exagerando) aos Sr. Steve Jobs que introduziu no mundo da tecnologia o conceito da facilidade e da intuitividade nos seus produtos e que geraram uma revolução em todos os sistemas e aparelhos que forma desenvolvidos depois do iPhone.
Quem é mais “antigo” como eu, deve se lembrar da evolução dos aparelhos de video-cassete, nas décadas de 80/90 quando foram se tornando cada vez mais sofisticados até chegar a um ponto que não sabíamos mais operá-los! Atualmente tudo tem que ser fácil e intuitivo e os novos sistemas oferecidos aos advogados também devem ser! Isto se chama consumerização.
Muito mais importante que a adoção das novas tecnologias é a mudança do “mindset” de advogados e principalmente daqueles que dirigem escritórios de advocacia, pois a mudança é muito maior que a simples adoção de tecnologia. É a adoção de uma cultura revolucionária, como tem acontecido ema quase todos os outros mercados e não simplesmente a evolucionária, pensando em fazer melhor o que sempre foi feito. O mercado em geral espera de todos os players a apresentação de opções diferentes e mais competitivas. 
A história da evolução do escritórios de advocacia nos remete às décadas de 70/80, quando existiam apenas uns poucos escritórios com qualidade e formação internacional, aliado ao fato de estarmos vivendo uma reserva de mercado. Naquela época praticamente não existia concorrência e logo após com a abertura do mercado brasileiro o setor viveu um boom de crescimento e o mercado jurídico passou a viver uma situação cômoda de “sellers pricing”. Atualmente a situação é exatamente oposta, com muita concorrência, pressão por preços e principalmente por eficiência e excelência na prestação de serviços. O mercado é definido hoje como “buyers pricing” e a adoção de tudo o que trouxer eficácia e competitividade (incluindo nisso a tecnologia) não mais opção e sim fator de sobrevivência.
Autor: João Paulo Graciotti https://www.linkedin.com/in/josepaulograciotti/

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Inteligência artificial e grandes investigações

Serviços de direito, que têm um custo bastante elevado para clientes, incluem um número razoável de tarefas quase-rotineiras. Muitas destas tarefas são executadas por trabalhadores qualificados – advogados e assistentes legais – contribuindo para o alto preço dos serviços legais. 

"Não é de se admirar, portanto, que muitos empreendedores tenham buscado na tecnologia formas de reduzir custos operacionais em advocacia"



Um primeiro choque veio com as ferramentas de telecomunicações. Sistemas de videoconferência, teleconferência e email permitiram, ao longo das décadas de 90 e 2000, a redução de muitas ineficiências relacionadas a produção e entrega de cópias físicas de texto e ao deslocamento de advogados e clientes para provisão de serviços. Tecnologias de busca aplicadas a bancos de dados legais reduziram o custo e o tempo de processos como pesquisas em códigos de leis e no histórico de decisões anteriores.

Um ensaio interessante de Richard Marcus na Northwestern University Law Review discute alguns impactos dessas tecnologias no dia-a-dia dos escritórios de advocacia. Mais recentemente, a maturação de tecnologias que permitem assinaturas e certificação digitais viabilizaram comunicação eletrônica entre advogados e cortes, sem medo de falsas representações. Blockchains parecem ser o próximo passo ao permitir a certificação para contratos de parte-a-parte sem intermediários, como mostra esse relatório da empresa de consultoria Deloitte sobre o uso de blockchains para eliminar a dependência de cartórios sobre transações mobiliárias. Isso levaria ao tão aguardado fim dos cartórios!

A maioria dos desenvolvimentos descritos acima focam em aspectos mais burocráticos dos direito como movimentação de documentos e buscas em códigos. Mas uma revolução mais impactante no direito ocorrerá com a automação de tarefas rotineiras que exigem manipulação de textos. Um exemplo: é comum, em um processo, um advogado receber uma notificação pedindo a anexação de um documento aos autos. Este processo, puramente burocrático, exige que uma pessoa leia o pedido, compreenda a mensagem (a falta de um documento), encontre um documento e produza uma mensagem respondendo a notificação e contextualizando o documento. É coisa de 1 ou 2 horas, e não exige muita capacidade analítica do advogado. Não fosse pelo fato de que é necessário interagir com a língua. É por isso, creio, que é na área de processamento automático de linguagem natural que encontraremos espaço para automação com impacto forte no direito.

Processamento de linguagem natural (NLP) é uma área que busca mesclar linguística com inteligência artificial pra produzir sistemas computacionais capazes de se relacionar semanticamente com textos. Este tipo de sistema permitiria a criação de ferramentas capazes de entender documentos, compreender questões legais triviais e gerar petições simples e documentos rotineiros. Exemplos práticos de sistemas que utilizam NLP incluem os assistentes eletrônicos como Siri e Alexa, que entendem perguntas e são capazes de gerenciar uma agenda com comando de voz. Um livro texto que dá uma boa introdução ao assunto é o “Speech and Language Processing'', para quem tiver interesse.

No direito, ferramentas de NLP que têm se demonstrado viáveis atuam na área de análise de provas e documentos. Estas ferramentas buscam automatizar o processo de avaliação em larga escala de documentos. Quem já acompanhou litígios de colarinho branco (como por exemplo os processos da Petrobrás na Lava Jato) deve ter se assustado com o volume de planilhas, emails, cartas, extratos bancários, e recibos que foram estudados. E a imensa maioria destes documentos contém apenas informação rotineira, irrelevante para o processo. O caso aqui é de filtragem de informações. Estas ferramentas costumam usar tecnologia de “sumarizadores'' (você pode brincar com o resoomer, que trabalha com francês, inglês, alemão, italiano, ou espanhol) para gerar palavras-chave ou marcadores em documentos e aumentar a velocidade de avaliação. Tecnologia baseada em sumarizadores também tem sido utilizada para outros tipos de análises legais como avaliação de contratos e diligência, um serviço oferecido por empresas como a eBrevia ou NexLP.

Soluções mais ambiciosas também estão começando a surgir. Uma startup que tem causado bastante barulho nesse setor é o DoNotPay. O site, no momento gratuito, entrega ao usuário um ciclo completo de serviços legais. A área de atuação ainda é limitada: protesto de multas de estacionamento urbana e demandas de reembolso aéreo. Mas o serviço é completamente autônomo e sem interação de um advogado real. É um robô quem te atende: ele conversa com você, obtém informações sobre como a multa foi dada, extrai informações a partir de fotos da multa, e busca brechas ou falhas legais na multa. Depois da análise da situação o robô gera uma petição de apelação da multa. De acordo com TechCrunch, o DoNotPay economizou um montante de US$9,3 milhões para um total de 375.000 usuários em seu primeiro ano de operação!

A aplicação e extensão desse tipo de tecnologia esbarra em dois entraves no Brasil – um tecnológico e um legal. No plano legal, há questões de ética e de regulamentação que podem atrasar a expansão da automação. O Brasil, com sua tradição processual positivista não é exatamente aberto a experimentações nesse setor. A Hurst Capital, uma firma de investimentos em litígio (um outro pepino ético cuja discussão não cabe aqui) mantém a robô Valentina para fazer triagens de clientes potenciais na seara trabalhista. A OAB/RJ e o instituto dos advogados brasileiros divulgou uma nota censurandoa Hurst pois um robô não poderia atuar como advogado. A robô Valentina não é uma advogada. Mas essa discussão mostra como a cultura jurídica pode dificultar o desenvolvimento de ferramentas.

Uma segunda barreira é a da língua e da cultura. A imensa maioria dos sistemas de processamento de linguagens foram desenvolvidas para o inglês. Sistemas capazes de processar português ainda não estão amadurecidos. Além disso, os processos do direito brasileiro são bastante distintos dos processos de outros países, naturalmente. Como resultado, a tropicalização de sistemas de tecnologia legal estrangeiros não será trivial. Mas, como eu ouvi de um amigo, oportunidade é dificuldade de cabeça pra baixo!



Sobre o autor: Shridhar Jayanthi é Agente de Patentes com registro no escritório de patentes norte-americano (USPTO) e tem doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Michigan (Ann Arbor) e diploma de Engenheiro de Computação pelo ITA. Atualmente, ele se dedica a patentes na área de manufatura elétrica, software, e equipamentos médicos. Antes de lidar com patentes, Shridhar teve passagens acadêmicas pela Rice, MIT, University of Pennsylvania, e pelo InCor/USP, onde trabalhou com pesquisa em diversas áreas, incluindo complexidade computacional, reconstrução tomográfica, métodos analíticos para sistemas estocásticos, dinâmica de sistemas não lineares, e biologia sintética.


Fonte: https://paraondeomundovai.blogosfera.uol.com.br/2018/07/05/como-a-inteligencia-artificial-busca-provas-em-grandes-investigacoes


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Meet the demands

One of the greatest challenges for law firms will be determining what the best strategy is for their firm in order to meet the demands of international clients.


Créditos de Carbono

O crédito de carbono é um conceito que surgiu em 1997, dentro do Protocolo de Kyoto. O objetivo principal dessa metodologia é reduzir a emi...